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GASTROCRÔNICA #3: Precisamos falar sobre os balcões 

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balcao-gastrocronica

Por conta do meu trabalho de nove-às-seis (frequentemente mais que isso, e frequentemente incluindo-se aí finais de semana e feriados), eu viajo bastante. E viajo sozinha. Sempre tento tirar nem que seja um dia ou umas horas pra esticar minha estadia e curtir um pouco do local. Nessas, conheci Portland, Bogotá, Londres, Cidade do México, fui incontáveis vezes pra Los Angeles e algumas outras pra Nova York. E a solidão no estrangeiro me permitiu desenvolver uma técnica, quase que um life hack, a partir de um minucioso trabalho de observação: quem senta no balcão (quando ele existe, obviamente) nunca está sozinho.

O balcão é aquele lugar descontraído, que te permite interagir com bartenders e cozinheiros, e também com as pessoas que estão ao seu lado. E não tô falando de pegação, não, que eu sou casada e pra isso existe o Tinder. Mas afirmo categoricamente que alguns dos encontros mais divertidos dessas viagens todas se deram em balcões. Foi num balcão de bar em Nova York que um sujeito nos abordou perguntando de onde era nosso sotaque e eu descobri se tratar de um produtor de Hollywood, que já trabalhou na cerimônia do Oscar e em documentários de Katy Perry e Justin Bieber (a informação foi confirmada pelo IMDb, e mantemos contato até hoje, quatro anos depois).
Foi também no balcão de um pub londrino em que afoguei as mágoas pela morte da minha amada avó horas antes, ajudei um senhorzinho de inglês ruim indignado com temperatura da cerveja (que descobri se tratar de um brasileiro, obviamente) e contei com o apoio e consideração do staff que, sabendo da dor da minha perda e do meu amor por britpop, me despachou pra Camden, do outro lado da cidade, onde eu fiz um pubcrawl que lavou a minha alma.
Balcões, se não reservam surpresas para aqueles de coração aberto, te dão a chance de pelo menos se distrair enquanto vê os funcionários trabalhando. Por isso, lamento muito que os balcões sejam tão escanteados no Brasil, seja em bares, hamburguerias ou restaurantes. Um exemplo? Fico perplexa quando vejo as pessoas fazendo fila pra esperar uma mesa no adorável JapaB (repaginação do Seidô, tem post aqui), no Jardim Botânico, enquanto o balcão está metaforicamente às moscas, perdendo a chance de ver de perto o chef Nao Hara, praticamente um artista, em ação. É como perder o surgimento da próxima banda sensação do momento porque você estava em outro andar da casa de shows e ficou com preguiça de subir as escadas.
ASSINATURA Liv

São Paulo: A Casa do Porco

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tartar

Se tem um ser vivo que prova a existência de Deus, esse só pode ser o porco. Porque olha, além de serem fofinhos quando filhotes, renderem ótimos personagens de desenho animado, eu acho o porco a parada mais gostosa do mundo. O porco inteiro. Do bacon ao carré, da barriga à bochecha. Que me desculpem os vegetarianos, mas pra mim porcos podem ser perfeitamente amigos e/ou comida, sim.

Sabendo disso, todos os meus amigos de São Paulo (e é gente pra caceta) me falaram d’A Casa do Porco, inaugurada ano passado na região central da cidade (que eu a-mo). Com a chancela dos bróder e o currículo do Jefferson e da Janaína Rueda, donos do lugar (ela também comanda o Dona Onça, outro restaurante que eu adoro), me organizei toda pra estar lá às 11h45 de um domingo, relembrando os velhos tempos de barbárie na fila do Aconchego Carioca (aliás, saudades). Até que não demoramos muito pra entrar – fomos os últimos da fila a conseguir lugar. Ufa.

Dito isso, se você quer um spoiler do resto do post, aviso logo que vai faltar adjetivo pra definir tamanha maravilhosidade. Bem que tinham me alertado que se trata de um dos melhores restaurantes de São Paulo e, olha, é mesmo.

A decoração é linda, o lugar é super agradável com uma portinha de take away e um açougue emoldurando o salão, e nós nos sentamos no balcão, uma super pedida (falarei mais sobre assunto em breve nas Gastrocrônicas do DFC). A Camila, garçonete muito gentil e paciente (especialmente com o bêbado mala que tava do nosso lado) nos explicou o longo cardápio e indicou o menu degustação da casa, o De Tudo Um Porco (quem ama trocadilho aí levanta a mão! _o/). São 2 embutidos + 7 entradinhas em versão finger food  + o PorcoSan Zé de prato principal (o carro-chefe de lá). O preço varia de acordo com o que você inclui ou exclui da brincadeira (nossa degustação deu algo em torno de R$ 100 por pessoa, os preços nos parênteses abaixo são das porções regulares, ok?).

Enquanto as comidinhas não chegavam, devoramos duas porções de Porcopoca, torresminho com sal de especiarias, viciante (R$ 10 cada). Começamos a degustação de fato com Embutido de cabeça de porco e o Presunto real, ambos feito na casa. Charcuteria, ó, show. Depois, recebemos torradinhas de pão de linhaça tostado, também feito na casa, acompanhados de uma compota de cebola roxa com bacon espetacular (até perguntei se eles vendiam, mas não :(), mostarda e picles de nabo.

Na sequência, o meu preferido, Tartar de Porco Maturado + Tutano + Cogumelo (R$ 21). Sim. Tartar de porco. Polêmico pra cacete, mas já me garantiram que não tem problema e eu preferi acreditar.

Continuando: veio o Sushi de Papada de Porco + Tucupi Preto + Nori (R$ 24), de textura impressionante, levemente adocicado, suave. Depois, a #sangueéingrediente (sangüiça, tangerina e broto orgânico, R$ 21), que me fez dar o braço a torcer: sempre detestei linguiça de sangue e essa tava ó, deliciosa. Melhor até que a Alface Romana + Costelinha de Porco + Arroz + Algas Marinhas (R$ 21), que também tava sensacional, pra você sentir o nível.

À parte, comi um Temaki de Porco + Hana Humê + Shissô (R$ 19), melhor que todas as versões tradicionais que já provei. Seguimos com o Pão no vapor + Barriga de Porco + Cebola Roxa + Pimenta Fermentada (R$ 21), uma alegria pra quem ama buns.

Pensa que acabou? Nananinanão. Ainda tem comida pra cacete. Como o petisco de Virado à Paulista (porco, feijão, couve, linguiça e ovo de codorna, R$ 24), outro que me fez morder a língua e me despir dos meus preconceitos, tava bonzão. O Croquete de Porco + Mostarda de Tucupi + Pimenta Fermentada foi o mais sem gracinha (R$ 22), mas não se pode ganhar todas. Até porque o curso seguinte foi o Torresmo de Pancetta + Goiabada (R$ 26), crocante por fora, desmanchando por dentro, com a suculência do porco fazendo festinha na boca quando se encontrava com o molho agridoce, sabe como é?

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Vale ressaltar que a mesma pancetta, bem gorda, veio enfiada no meu copo de Bloody Mary, que tava super encorpado, do jeito que eu gosto. Felicidade era pouco, o que eu tava sentindo ali ainda não tem nome (mentira, é gordice pura mermo).

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O porco San Zé (R$ 44), carro chefe da casa veio com tutu de feijão, tartar de banana e couve. Vou ser sincera, tenho uma vaga lembrança de achar muito gostoso, mas nessa hora eu já estava desfalecendo de tão cheia.

casadoporcoSobre

Mas como eu não tenho a menor vergonha na cara e sou da corrente que acredita que sobremesa tem um slot especial, fui logo catar pra ver se tinha Pudim Abade de Priscos (um doce português a base de ovos e BANHA), mas não rolava. Os doces (e os pratos vegetarianos) são os únicos itens do cardápio porco-free. Fomos então de Bolinho de Chuva, Chocolate e Sorvete de Creme Caseiro (R$ 24).

casadoporcoCafe

Pra embalar tudo e pôr um fim nessa orgia, pedimos um cafézinho coado, que vem com uma bala de leite com bacon que minhanossasenhora.

Serviço
R. Araújo, 124 – República, São Paulo
(11) 3258-2578
De segunda a sábado, das 12h às 0h, domingo das 12h às 17h (Comida rápida: das 11h à 0h)

preco-3

ASSINATURA Liv

Rapidinhas do DFC

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Descolado

:: Aparentemente dia 28 de maio é dia mundial do hambúrguer e para comemorar vai rolar o Degusta Burger no Village Mall – que promete ser delícia pura, viu? Acontece do dia 26 ao dia 29 (quinta a domingo), com 10 “marcas” (pode chamar de marca) de da iguaria e 1 de batata frita (porque né) e mais um monte de sobremesa e cerveja. Programão.

:: Nesse fim de semana (sexta, sábado e domingo) acontece, no Casa Shopping, o “Vinhos de Portugal no Rio” que promete ser uma delícia tanto para os entendidos quanto para os noobies na enologia. Você pode comprar ingressos para aulas e degustações (já estão quase todos esgotados, porém) e para o Mercado de Vinho, que é uma degustação linda em que você ganha uma taça com chip e experimenta vários vinhos. Ainda tem uma parte gratuita para quem quer apenas conhecer (e comprar!).

cooksauce

:: Eu (Liv) já era louca pela pasta de curry amarelo da Cook Sauce: ao contrário dessas industrializados que a gente encontra nas lojinhas orientais, em que uma pitadinha já te deixa botando fogo pelas orelhas, essa tem menos ardência e mais sabor. Uso direto e sonho com as equivalentes de curry verde e vermelho (pelamordedeus, façam logo!). Esse fim de semana, comprei os outros molhos da linha e amei TODOS. O de pimenta tipo asiático também tem essa onda não-muito-picante-mas-mais-saboroso, o chimichurri é coisa de louco e o barbecue de beterraba é sensacional. Ah, sim, tudo sem conservantes. Pra saber onde encontrar, clica aqui.

:: Ainda nas comemorações, alguns estabelecimentos amados comemoram esse ano 500 anos da cachaça. Temos o Giuseppe Grill Leblon, com mais de 80 rótulos, o Stuzzi que criou um drink especialmente para a ocasião (R$29, cachaça Yaguara, frangelico, angustura, xarope de baunilha, licor san german e sour mix), assim como o Baretto Londra que fez o Very Fasano (R$44 com cachaça Leblon, suco de cranberry, abacaxi e suco de limão) também conhecido como drink-que-a-Nina-pediria-com-certeza.

cafe-secreto

:: Tempos atrás, uma amiga me perguntou sobre um café no Flamengo ou adjacências pra levar uma cliente e minha resposta foi “não leva”. Pois agora tem opção, e opção maravilhosa. Uma delas é o Café Secreto, que fica escondido numa vila charmosérrima no Largo do Machado, e serve café de verdade. O espaço é tocado pelo casal de donos, oferece várias opções da viciante bebida e comidinhas deliciosas pro lanche. Recomendo. Rua Gago Coutinho 6, casa 8.

:: Tem japa novo na Cidade Nova. O Eiyo Sushi acaba de lançar o cardápio de pratos quentes, para além das comidas cruas: fiquei a fim do Congro Negro levemente tostado (R$ 35,90), que pode vir acompanhado de arroz de jasmim ou purê de batata doce com barôa e do Tori, frango ao molho curry ou ao teryaki (R$ 31,90), além do Ebi no Furai, camarões VG empanados com molhos especiais (R$ 35,90 cada).

:: A Lamas Brew Shop, que vende insumos para produção de cerveja artesanal caseira (ó que maneiro), acaba de lançar um concurso para decidir a cerveja caseira mais gostosa – que vai dar um dinheiro pros produtores vencedores. Se você tá nesse esquema, clica aqui e vê como funciona.

ASSINATURA Liv

e editado/completado pela Nina ♥

As chicks


Liv Brandão.
30 anos, jornalista, libriana. Fala muito e basicamente sobre séries, comida, música, moda e beleza. O que já rende um bom papo de bar, né?


Nina Ribeiro.
29 anos, publicitária, feminista. Escreve sobre moda, bebe uísque, ama gatos e come absolutamente tudo (que não seja alérgica).

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Quanto vale o show?


Disclaimer

A gente é legal, mas não se responsabiliza por cardápios, preços e horários de funcionamento divulgados nesse blog. Sempre cheque as informações antes de sair de casa!

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