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Buenos Aires: Chochán

Author:
chocan-dica

Não tem nada melhor que viajar com foco gastronômico (ainda mais se você tem um companheiro que divide a mesma paixão por comidabebida que você). Por isso, quando fui com o hômi a Buenos Aires há duas semanas, baseamos todo o nosso roteiro em lugares que adoraríamos comer. É claro que nossas pesquisas prévias renderam uma lista impossível para apenas quatro dias de viagem, até porque praticamos o esporte de entrar em lugares fora do roteiro. Mas alguns estavam na lista de prioridades e assim fomos ao Chochán.

crédito: http://thelatinkitchen.com/

crédito: http://thelatinkitchen.com/

Os méritos da descobertas vão todos para o Clau, que achou o restaurante no Facebook e veio correndo como criança “amor, amor um lugar que só serve porco”. Well, sold! Não precisava me dizer mais nada. O Chochán é um lugar novo, pequeno, íntimo e totalmente fora de qualquer circuito tradicional de BsAs.

Pra você ter uma ideia, são seis mesas, sendo duas comunais. O serviço é responsabilidade de uma única mulher (que fazia tudo, inclusive os drinks). A cozinha é responsabilidade de outra mulher, a incrível Naiara Calviño. O menu? Está escrito no quadro-negro na parede, muda sempre e é isso. A carta de vinhos também, fica no quadro-negro na parede oposta. A decoração lembra os meus amados bares do Brooklyn. Em resumo, dá vontade de ficar ali o dia inteiro.
chocha-entrada
De entrada, fomos de Won-ton agridulce (com recheio de porco, Ar$60) que estava ma-ra-vi-lho-so. Comeria oitocentos, mas só vieram 3. Apresentação linda e formato pouco tradicional, duas coisas que aumentaram ainda mais minha expectativa.

Em seguida, eu fui de Cerdo deshilachado, barbacoa casera y ensalada de repollo (porco desfiado, barbecue caseiro e salada de repolho, Ar$120) delicioso e suculento. O pão merece uma menção honrosa, super crocante e segurou bem a suculência sem ficar molengo (raridade).
chocan-dica
Clau comeu o Doble hamburguesa (dois hamburgueres, queijo, abacaxi e chorizo Ar$120) que conseguiu a proeza de estar melhor que meu sanduíche. Os picles de cebola roxa e cenoura mais batatas que acompanharam os dois pratos estavam ótimos também.

Em resumo, excelente. Vale desviar do caminho tradicional pra conhecer!

Piedras 672, 1070 Buenos Aires
Seg – Sex: 20:00 – 00:00 Sáb – Dom: 12:00 – 16:00 20:00 – 00:00
Preço: $$ (aceita somente dinheiro)

ass-4-nina

Lisboa: Sea Me – Peixaria Moderna

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sea-me-4

Costumo ser meio control freak com as minhas viagens: leio tudo sobre a cidade nos meus sites favoritos e nos veículos locais, consulto meus amigos atrás de dicas e anoto lugares que quero ir, passeios que gostaria de fazer e restaurantes e bares pra se conhecer. Geralmente posiciono tudo num mapa e deixo ali, a mão, pra poder consultar e dividir em roteiros de acordo com o mood do dia. Só que fazer isso pra uma viagem de um mês e cinco países seria impossível pra humana aqui, que andava sem tempo e sem saco ainda no Brasil, e resolveu deixar a coisa correr solta.

Mas teve uma dica de Lisboa que foi praticamente unânime: o tal do Sea Me. O restaurante se define como uma ~~Peixaria Moderna~~ e, apesar do nome pernóstico, é mais ou menos por aí. A sede tem um balcão enorme com peixes e crustáceos frescos, que viram pratos japoneses tradicionais ou nem tanto. Cheio de porções no estilo tapas, pra compartilhar.

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Depois do couvert delicinha, com pães (coisa que português faz com maestria, convenhamos), pasta sapateira e grão de bico (€ 3), fomos de Vieiras coradas com tártaro de manga e flor de sal (€ 8,50), grandes, gordinhas, mornas, maravilhosas. Outra pedida foi o Choco frito em tempura preta com folha de shisô (€ 7), um tipo de lula muuuuito mais macio que a mais macia das lulas (bom pra quem implica com a textura). A Salada de caranguejo real, salmão fumado (sim, defumado) e aspargos tava uma delícia (€ 8,50).

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Pra não deixar de lado o fator japa, pedimos uma dupla de sushi de sardinha com flor de sal, que MINHA NOSSA SENHORA, coisa de emocionar (€ 6,50). Pra fechar a tampa, pedimos um mix de sushis e sashimis ao gosto do chef, mas o garçom entendeu errado (ah, o sotaque) e trouxe só um mix com 15 peças de sashimi (€ 16) Mas olha, que senhores sashimis. Tinha sardinha de novo (dessa vez crua, obviamente), tinha o atum mais gostoso da vida, salmão, lula com caviar negro e mais um monte de coisa deliciosa, linda, bem cortada, obra de arte. Ficou claro por que todo mundo foi tão efusivo ao indicar aquele lugar. Amei!

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Ostras que eu esqueci de citar no post, mas custam € 4 cada e são fresquissimas e maravilhosas <3

Ostras que eu esqueci de citar no post, mas custam € 4 cada e são fresquissimas e maravilhosas <3

Serviço
Rua do Loreto 21, Chiado, Lisboa
+213 461 564/65 (convém reservar)
$$$$

ass-4-liv

Off-Topic: Sobre paladar infantil

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(Esse post foi originalmente postado numa colaboração com o blog F-Utilidades)

Fui uma criança chatíssima para comer. Não apenas uma criança típica com dificuldade de comer legumes e verduras. Comer para mim, e consequentemente para os meus adultos, era um drama sem fim. Um loop eterno de “só vai sair da mesa quando comer tudo”, “quando tiver fome e quiser um biscoito, você vai comer o seu prato do almoço” e “tanta criança com fome e você negando comida”. Apesar do drama, meu pai dizia que um dia eu ia comer, não por vontade própria, mas por vergonha de ter paladar infantil.

A teoria mostrou-se certíssima. Eu não comia peixe cru, até o menino que eu gostava me chamar pro japonês e eu me obrigar a tentar. Eu não comia folhas até minhas amigas, durante a adolescência, insistirem em comer uma saladinha depois da praia e eu me obrigar a tentar. Eu não comia nada que eu não conhecesse o gosto, até estar em outro país e me obrigar a tentar. Quando dei por mim, já comia absolutamente de tudo.

Reparem que eu não disse que me obriguei a gostar, mas sim, me obriguei a tentar. E o que é a vida se não uma série de tentativas? Se passarmos nosso tempo fugindo do desconhecido, não vamos nem ligar a televisão. É por isso que não consigo entender o famoso paladar infantil que muitos adultos se orgulham (sim!!) em ter. Impor a si mesmo um monte de restrições alimentares é limitar as próprias experiências. E que adulto maduro em sã consciência quer uma coisa dessas?

Minha mãe diz que a pessoa tem todo direito de não gostar de algum alimento, mas tem o dever de experimentar. Justo, não acham? O paladar é uma coisa que a gente treina. Certas coisas a gente tem que aprender a gostar e aceitar. Não basta comer peixe uma vez, aos seis anos de idade, não gostar e dizer que não come peixe. Existe uma chance enorme daquele peixe ter sido mal preparado, mal temperado ou não ser fresco (e o que tem de comida mal feita e alimento mal tratado por aí, minha gente, é inacreditável).

Eu entendo o receio de comer alguma coisa ruim. Comida ruim é uma experiência péssima que eu não desejo nem pros meus piores inimigos (mentira, desejo sim). Só não acho coerente que um adulto que, provavelmente, já deu passos incríveis e “arriscados” como entrar numa faculdade, viajar para um outro país, beber do copo do amigo, fazer sexo oral e mudar a cor do cabelo, não tenha coragem de comer um legume por medo de não gostar.

O risco de não gostar de alguma coisa é exatamente igual ao risco de gostar, acreditem. Até quando a aparência é esquisita e o cheiro não é dos melhores. Taí o sexo oral para provar o meu ponto. Então, por que alguém não gostaria de treinar o paladar para aceitar um maior leque de tipos de comida?

Eu, por exemplo, detesto pepino cru (e dessa vez, não tem nenhuma referência com sexo oral, juro). Eu sei disso sobre mim e eu aposto que você conhece seus gostos melhor do que ninguém. Mas se alguém me oferece pepino feito de outra(s) forma(s) é claro que eu vou experimentar, vai que eu gosto? Vai que eu estou errada? Acontece.

Comida é uma coisa maravilhosa, gente. E se é pra gente colocar restrições na nossa vida, vamos, sei lá, experimentar não pular de paraquedas ou dirigir alcoolizado. Comer é um ato social, é um prazer maravilhoso de ser compartilhado com outra pessoa ou em grupo. Experimentar coisas novas é o que faz a gente evoluir, crescer e aprender. Não é mesmo, cientistas? A vida é a arte da experimentação. E quem não experimenta, perde uma parte enorme da vida.

ass-4-nina

As chicks


Liv Brandão.
29 anos, jornalista, libriana (apesar de não acreditar nessas coisas). Fala basicamente sobre séries, comida, música, moda e beleza. O que já rende um bom papo de bar, né?


Nina Ribeiro.
28 anos, publicitária, feminista. Escreve sobre moda, trabalha com marketing em gastronomia, bebe uísque, ama gatos e come absolutamente tudo (que não seja alérgica).

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